Mostrando postagens com marcador INFORMAÇÃO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador INFORMAÇÃO. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Como surgiu o Dia da Criança


O Dia das Crianças no Brasil foi "inventado" por um político. O deputado federal Galdino do Valle Filho teve a idéia de criar um dia em homenagem às crianças na década de 1920.

Na década de 1920, o deputado federal Galdino do Valle Filho teve a idéia de
"criar" o dia das crianças. Os deputados aprovaram e o dia 12 de outubro foi
oficializado como Dia da Criança pelo presidente Arthur Bernardes, por meio do decreto nº 4867, de 5 de novembro de 1924.

Mas somente em 1960, quando a Fábrica de Brinquedos Estrela fez uma promoção conjunta com a Johnson & Johnson para lançar a "Semana do Bebê Robusto" e aumentar suas vendas, é que a data passou a ser comemorada. A estratégia deu certo, pois desde então o dia das Crianças é comemorado com muitos presentes!

Logo depois, outras empresas decidiram criar a Semana da Criança, para aumentar as vendas. No ano seguinte, os fabricantes de brinquedos decidiram escolher um único dia para a promoção e fizeram ressurgir o antigo decreto.
A partir daí, o dia 12 de outubro se tornou uma data importante para o setor de brinquedos.

Em outros países

Alguns países comemoram o dia das Crianças em datas diferentes do Brasil. Na
Índia, por exemplo, a data é comemorada em 15 de novembro. Em Portugal e
Moçambique, a comemoração acontece no dia 1º de junho. Em 5 de maio, é a vez
das crianças da China e do Japão comemorarem!

Dia Universal da Criança

Muitos países comemoram o dia das Crianças em 20 de novembro, já que a ONU (Organização das Nações Unidas) reconhece esse dia como o dia Universal das Crianças, pois nessa data também é comemorada a aprovação da Declaração dos Direitos das Crianças. Entre outras coisas, esta Declaração estabelece que toda criança deve ter proteção e cuidados especiais antes e depois do nascimento.

Fonte: site Shopping b - www.shoppingb.com.br

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

CURTIRAÇÃO ANIMOU O ANIVERSÁRIO DE VITOR E VIVI.





Com o tema "Peter Pan e Sininho", os irmãozinhos, Vitor e Vivi, comemoraram no sábado (25/08/07) os seus respectivos aniversários juntos com seus familiares e amigos. A criançada brincou a noite toda no pula-pula, no escorregador inflável e na piscina de bolinhas. Pintaram os rostos e participaram da gincana promovida pela CURTIRAÇÃO.
Depois os aniversariantes cantaram parabéns, cortaram o bolo e a festa foi até a 1h da manhã.
A CURTIRAÇÃO deseja muitas felicidades para os aniversariantes e que Deus ilumine-os.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

O QUE ENSINAR A QUEM ENSINA

Em meio ao corporativismo acadêmico e à oscilação das políticas públicas, cursos de formação de professores escorregam na busca do equilíbrio entre práticas pedagógicas e conhecimento do objeto a ser ministrado.
Valéria Hartt

É necessário avançar para um campo mais livre do corporativismo acadêmico e do caráter remediativo das políticas públicas. Falar que a formação de professores vai mal não é novidade. Há décadas discute-se a deficiência dos cursos de formação e questões centrais continuam sem resposta: qual o caráter da formação docente? Os cursos devem apontar para o ensino técnico-profissionalizante ou para a formação acadêmica? Que identidades estão por trás da figura do bacharel, na formação de especialistas, e dos egressos dos cursos de licenciatura? Que lógica pontua a visão curricular de uma ou outra concepção e como isso tangencia, na prática, as exigências curriculares impostas à educação básica?

Apesar da enxurrada de leis, diretrizes e parâmetros curriculares, da multiplicação de cursos e faculdades dirigidos ao magistério, a figura do professor, que personifica o desafio da educação na sala de aula, permanece frágil, ainda à procura de identidade.

Estudo feito pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em 2003 demonstra que a formação do professor afeta diretamente o desempenho do aluno. Quando o educador possui formação superior, a média de seus alunos na prova de leitura é de 172 pontos. Quando a formação é secundária, cai para 157.

Resta saber, exatamente, qual é a formação pretendida - um embate que se arrasta nos últimos 30 anos e emerge com a freqüência com que aparecem os dados, e a conseqüente fragilidade da escola pública.

"Ainda não há uma política nacional de formação e valorização do magistério", critica Helena de Freitas, presidente da Associação Nacional pela Formação de Profissionais da Educação (Anfope).

Mais informações



quarta-feira, 1 de agosto de 2007

"Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível"


Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da "invisibilidade pública". Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social


Plínio Delphino, Diário de São Paulo

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são "seres invisíveis, sem nome".

Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da "invisibilidade pública", ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.

Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: "Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência", explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. "Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão", diz.

Apesar do castigo do sol forte, do trabalho pesado e das humilhações diárias, segundo o psicólogo, são acolhedores com quem os enxerga. E encontram no silêncio a defesa contra quem os ignora.

Diário – Como é que você teve essa idéia?

Fernando Braga da Costa – Meu orientador desde a graduação, o professor José Moura Gonçalves Filho, sugeriu aos alunos, como uma das provas de avaliação, que a gente se engajasse numa tarefa proletária. Uma forma de atividade profissional que não exigisse qualificação técnica nem acadêmica. Então, basicamente, profissões das classes pobres.

Com que objetivo?

A função do meu mestrado era compreender e analisar a condição de trabalho deles (os garis), e a maneira como eles estão inseridos na cena pública. Ou seja, estudar a condição moral e psicológica a qual eles estão sujeitos dentro da sociedade. Outro nível de investigação, que vai ser priorizado agora no doutorado, é analisar e verificar as barreiras e as aberturas que se operam no encontro do psicólogo social com os garis. Que barreiras são essas, que aberturas são essas, e como se dá a aproximação?

Quando você começou a trabalhar, os garis notaram que se tratava de um estudante fazendo pesquisa?
Eu vesti um uniforme que era todo vermelho, boné, camisa e tal. Chegando lá eu tinha a expectativa de me apresentar como novo funcionário, recém-contratado pela USP pra varrer rua com eles. Mas os garis sacaram logo, entretanto nada me disseram. Existe uma coisa típica dos garis: são pessoas vindas do Nordeste, negros ou mulatos em geral. Eu sou branquelo, mas isso talvez não seja o diferencial, porque muitos garis ali são brancos também. Você tem uma série de fatores que são ainda mais determinantes, como a maneira de falarmos, o modo de a gente olhar ou de posicionar o nosso corpo, a maneira como gesticulamos. Os garis conseguem definir essas diferenças com algumas frases que são simplesmente formidáveis.

Dê um exemplo?

Nós estávamos varrendo e, em determinado momento, comecei a papear com um dos garis. De repente, ele viu um sujeito de 35 ou 40 anos de idade, subindo a rua a pé, muito bem arrumado com uma pastinha de couro na mão. O sujeito passou pela gente e não nos cumprimentou, o que é comum nessas situações. O gari, sem se referir claramente ao homem que acabara de passar, virou-se pra mim e começou a falar: "É Fernando, quando o sujeito vem andando você logo sabe se o cabra é do dinheiro ou não. Porque peão anda macio, quase não faz barulho. Já o pessoal da outra classe você só ouve o toc-toc dos passos. E quando a gente está esperando o trem logo percebe também: o peão fica todo encolhidinho olhando pra baixo. Eles não. Ficam com olhar só por cima de toda a peãozada, segurando a pastinha na mão".

Quanto tempo depois eles falaram sobre essa percepção de que você era diferente?

Isso não precisou nem ser comentado, porque os fatos no primeiro dia de trabalho já deixaram muito claro que eles sabiam que eu não era um gari. Fui tratado de uma forma completamente diferente. Os garis são carregados na caçamba da caminhonete junto com as ferramentas. É como se eles fossem ferramentas também. Eles não me deixaram viajar na caçamba, quiseram que eu fosse na cabine. Tive de insistir muito para poder viajar com eles na caçamba. Chegando ao local de trabalho, continuaram me tratando diferente. As vassouras eram todas muito velhas. A única vassoura nova já estava reservada para mim. Não me deixaram usar a pá e a enxada, porque era um serviço mais pesado. Eles fizeram questão de que eu trabalhasse só com a vassoura e, mesmo assim, num lugar mais limpinho, e isso tudo foi dando a dimensão de que os garis sabiam que eu não tinha a mesma origem socioeconômica deles.

Quer dizer que eles se diminuíram com a sua presença?

Não foi uma questão de se menosprezar, mas sim de me proteger.

Eles testaram você?

No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?

Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar, não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?

Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando – professor meu – até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?

Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. São tratados como se fossem uma coisa.


Consciência.Net

Recebi essa reportagem de uma grande amiga, me emocionei com este relato, já passei muitas vezes por trabalhadores braçais, poucas vezes me preocupei em dar pelo menos um "oi".
Maria Fernanda

terça-feira, 10 de julho de 2007

DOUTORES PALHAÇOS BUSCAM OFICINA DE APERFEIÇOAMENTO


Os Doutores Palhaços – projeto da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SESMT) - preocupados no aperfeiçoamento das atividades nos hospitais, estão em contato com os “Doutores da Alegria” em São Paulo, para futuramente programar uma oficina em Cuiabá.
Os Doutores Palhaços, programa mantido pela SES, que faz parte do Projeto Saúde com Alegria, atualmente é composto por 15 atores, sendo que cinco são multiplicadores (pioneiros), todos servidores de carreira da SES, alegram há três anos pacientes e profissionais da área de saúde.
Os “Doutores da Alegria” – ONG criada em São Paulo - atuam há 15 anos, já visitaram aproximadamente 500 mil crianças e adolescentes hospitalizados, cerca de 750 mil familiares e 5 mil profissionais de saúde em 14 hospitais de quatro estados brasileiros. Atualmente, o “Doutor da Alegria” esta ramificado em quatro capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte.
O programa “Doutores da Alegria” é gratuito para o hospital e para o público, mas não é voluntário; todos os artistas são remunerados por sua atuação. Para tanto, dependem do suporte financeiro de empresas parceiras e pessoas físicas, além de geração de renda por meio de palestras e programas de formação para artistas e profissionais de saúde.
Ao lado do pioneirismo no trabalho de palhaços em hospitais no Brasil, o programa “Doutores da Alegria”, é referência na valorização das relações humanas no ambiente hospitalar e na organização e disseminação do conhecimento gerado por este trabalho, conduzidas por um exclusivo centro de estudos sobre o universo de palhaço e as relações entre a arte e a ciência.
A ONG enviou uma proposta para o deslocamento de alguns “Doutores da Alegria” para ministrar oficina de Clown na capital, e a equipe da Gerência de Humanização – Zenaide Camargo, Noemi Silva, Eunice Dal´Maso e Eneida Vandoni, não estão medindo esforços para trazer a palestra para Cuiabá. “Estamos realizando contatos com os “Doutores da Alegria”, eles nos enviaram uma proposta, vamos oferecer uma contra-proposta, para depois apresentar o custo para a diretoria da ESP, explica Eunice Dal´Maso.
Segundo Enice Dal´Maso, que interpreta a doutora gata no projeto Doutores Palhaços, não é qualquer profissional que atende as exigências do grupo, “não é qualquer um que consegue, além da alegria ele (o programa Doutor Palhaço) é sério, é muito mais do que ir lá no hospital para representar, o profissional tem que ter compromisso”.
Sobre Clown
Clown se traduz por palhaço, mas as duas palavras têm origens diferentes. Clown, no inglês, segundo Ruiz (1987), está ligado ao termo camponês “clod”, ao rústico, à terra. Já palhaço vem do italiano “paglia” (palha), usada para revestir colchões: a primitiva roupa do palhaço era feita do mesmo tecido grosso e listrado do colchão. Outra origem é “palhaço” na língua celta, que originalmente designa um fazendeiro, um campônio, visto pelas pessoas da cidade como um indivíduo desajeitado e engraçado (Masetti,1998). Para Fellini (1986), o palhaço é mais de feira e praça, o clown de circo e palco. Tessari coloca que, tanto na língua comum italiana quanto na linguagem especializada do espetáculo, hoje não existe nenhuma diferença entre a palavra palhaço e a palavra clown, pois as duas palavras se confluem em essências cômicas. A primeira, no entanto, é usada, às vezes, como insulto, significando estúpido, ridículo e exibicionista, ou para indicar o cômico do circo.
Fonte: google.com - clown
Para conhecer mais sobre os “Doutores da Alegria” Visite o site: www.doutoresdaalegria.org.br
Mais informações sobre o projeto da SES – Doutores Palhaços:
GEHUMA/ESP- 3613-2213
Fonte: Marco Mattos Assessoria ESPMT

sexta-feira, 6 de julho de 2007

II CONFERÊNCIA ESTADUAL DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES


As Conselheiras do CONSELHO ESTADUAL DOS DIREITOS DA MULHER DO ESTADO DE MATO GROSSO, convidam para a II CONFERÊNCIA ESTADUAL DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES, que se realizará nos dias 12 e 13 do corrente, a partir das 08:00 horas, no Hotel Fazenda Mato Grosso.

Cuiabá, julho/2007

Drª. Ana Emilia Iponema Brasil Sotero

Presidente CEDM-MT

terça-feira, 19 de junho de 2007

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

A gravidez na adolescência é um problema comum em vários países e não é exclusivo das camadas mais pobres da sociedade. No entanto, em países de terceiro mundo chama mais a atenção pela crueldade que o tema envolve. Seja pelas tentativas toscas de aborto ou pela vida precária que alguns bebês terão que enfrentar por causa da falta de recursos da mãe. A falta de apoio das adolescentes que não têm como se sustentar e são abandonadas pela família e parceiro é um agravante. A Casa da Menina Mãe I, localizada no centro de São Paulo, abriga meninas recolhidas por assistentes sociais com histórias marcantes.
Foi difícil entrar na instituição. Mesmo tendo feito, dias antes, uma difícil negociação da visita com a assistente social, a entrada é bloqueada por uma das funcionárias que cuida das meninas menores grávidas. Vários olhos arregalados espiavam pela janela. Essa situação, com a decadência do centro de São Paulo como pano de fundo, gerou um clima pesado. Era possível sentir a tensão no ar. No dia seguinte, a explicação: uma das meninas foi ameaçada pelo pai da criança e todos estavam apreensivos.
O número de gestantes oriundas das classes mais pobres é maior porque elas não têm grandes expectativas e vêem no filho alguma esperança para mudar de vida. Esse fato, somado a tantos outros, fazem com que a quantidade de menores grávidas continue grande, mesmo com as inúmeras campanhas de conscientização.
A pesquisa Gravad realizou em 2006 uma enquete domiciliar com 4.634 jovens, de 18 a 24 anos e de ambos os sexos, em três capitais do país (Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre). Em relação à gravidez na adolescência (até os 20 anos incompletos), os dados indicam que pelo menos um episódio reprodutivo foi relatado por 29,6% das mulheres e 21,4% dos homens.
A maioria dos entrevistados (70%) declarou uso de proteção e/ou contracepção na primeira relação sexual. Essa taxa decai com o decorrer do relacionamento, uma vez que os parceiros "ganham confiança" entre si.
INFLUÊNCIA DA FAMÍLIA
Atualmente, com a conscientização do uso de contraceptivos, a ingenuidade das adolescentes é uma das principais causas da gravidez. Mesmo conscientes do risco, depositam toda a confiança nos parceiros. Esse é o caso de Carla (nome fictício).
A moradora da Casa da Menina Mãe I tem 17 anos e uma filha de seis meses. Ela conheceu um advogado de 43 anos em um barzinho na Praça da Árvore. Carla* encontrou nele o carinho que não tinha em sua casa e foi morar com o homem. Apaixonada, engravidou, mas o advogado afirmou que o filho não era dele e a expulsou de casa. "Fui enganada por um homem que dizia gostar de mim", diz ela. "A criança é parecidíssima com ele e agora estou aqui no abrigo esperando decisão do juiz."
As internas se mostram muito bravas no primeiro contato, olham torto e fazem cara feia. Desconfiadas, algumas se escondem. Elas conversam como se estivessem sendo forçadas e contam muitas histórias chocantes propositalmente. Como quando foram presas vendendo drogas e como é cruel a vida na rua. Tudo isso com muita naturalidade, atentas à reação do ouvinte. No entanto, com a visita constante, elas tiram a máscara e se mostram adolescentes normais. A falta de carinho e abandono da família fazem tanta falta na vida delas que em pouco tempo criam um laço afetivo muito forte com qualquer pessoa que lhes dê atenção. Elas contam suas histórias com o maior prazer, pedem para carregar seus filhos, mostram fotos e roupas ganhas.
A assistente social conta que a falta da família cria um forte laço com a criança. Mesmo que o filho não fosse desejado, ele acaba sendo a coisa mais importante em suas vidas. Um exemplo é o caso de July (nome fictício), 17. "Conheci o pai da minha família e engravidei, mas eu não aceitava. Tomei de tudo para abortar minha filha, mas não consegui. Quando minha mãe descobriu, me botou na rua. Fui morar na casa de uma amiga. Fiquei trabalhando lá, depois voltei para a casa da minha mãe", conta a menina, que chegou a estudar em colégio interno. "Minha mãe jogava tudo na minha cara. Falava que não ia aceitar a minha filha e eu só chorava, tentando me matar. Tinha dias que eu dormia no quintal da casa porque minha mãe não queria abrir a porta para mim." Ela procurou ajuda, foi parar na Casa da Menina Mãe I e desabafa: "hoje, quando vejo o rostinho da minha filha sorrindo para mim, me arrependo de ter tomado várias coisas para abortá-la. Estou muito feliz e grata a Deus por ter me dado uma filha linda e com muita saúde. Não guardo mágoas da minha mãe, a amo como minha filha".