Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

CORAÇÃO

Lembrança, quanta lembrança
dos tempos que já lá vão!
Minha vida de criança,
minha bolha de sabão!

Tudo muda, tudo passa
neste mundo de ilusão;
Vai para o céu a fumaça
Fica na terra o carvão.

Mas sempre, sem que te iludas,
cantando no mesmo tom,
só tu coração, não mudas,
porque és puro e porque és bom!
Guilherme de Almeida

Esse é só um trecho da poesia coração, de Guilherme de Almeida.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Soneto da fidelidade



De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.


E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa (me) dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinicius de Moraes

quinta-feira, 5 de julho de 2007

MARIA - SEM - VERGONHA DE SER MULHER



MARIA DA PENHA inspirou a legislação que criminaliza as agressões (Foto: Alex Costa)


Já são tantas. Milhares. Milhões. Uma verdadeira
Rama, florescendo por todo o planeta. Lilás.
São Maria - sem - vergonha de ser mulher.
Não são só florzinhas. São mulheres se agrupando,
Misturando suas cores, gritando seus encantos,
Exibindo suas verdades.
São domésticas, bailarinas, médicas, estudantes, bancárias,
Professoras, escritoras, garis, brancas, negras, índias,
Meninas...
São sem vergonha de lutar,
Acreditar, denunciar, exigir, reivindicar, sonhar...
São sem vergonha de dizer
Que ainda falta trabalho, sálario digno, respeito...
Que ainda são vítimas de violência física,
Da porrada, do assédio, do estupro, do aborto,
Da prostituição, da falta de assistência...
São Maria - sem - vergonha de se indignar
Diante do preconceito, da escravidão, da injustiça,
Da discriminação aos seus cabelos pixaim
E à sua pele negra...
São Maria - sem - vergonha de brigar por creches,
Meio ambiente, pelo direito de ter ou não ter filhos...
São Maria - sem - vergonha de ficar bonita,
Pintar a boca e da sua boca soltar um beijo
Que não vem de sua boca, mas de seu ser inteiro,
Indivisível, solidário.
São Maria - sem - vergonha de dizer NÃO, de buscar
Alegria, prazer... Sem vergonha de se cuidar,
De usar camisinha e de se apaixonar. Atrevidas,
Maria - sem - vergonha de decidir, fazer política,
Escolher e ser escolhida.
São essas sem vergonha que
A cada tempo mudam a história,
Comquistam direitos, dão a vida.
Geram outras vidas insistentemente.
Desavergonhadamente vão tecendo de cor e beleza,
O desbotado das relações humanas,
Sem medo, sem disfarce, sem vergonha de ser feliz
Vão parindo com dores e delícias um novo mundo
Pra mulheres e homens
Um novo mundo pra "comunidade dos seres"

Autora: Nanci Silva

sábado, 23 de junho de 2007

AS GAVETAS DA MINHA VIDA


Arrumando as gavetas da vida, Foi inevitável o encontro de Objetos antigos, músicas, negativos vistos sob a luz do Sol... Tantas lembranças! Impossível não chorar, Como não me emocionar? Trouxe comigo uma caixa de papelão, para colocar as coisas fúteis e lança-las ao lixo. Engraçado... Muitas coisas que antes tinham tanto valor e significância, momentos que julgava os melhores de minha vida, estavam ali agora, na caixa prestes a seguir o cruel destino das coisas obsoletas. Por horas olhei o conteúdo... Não acreditando no que via. Investi naquelas coisas, tantos sonhos, tantos planos, tanta emoção, tanta alegria desprendimento, energia! Enxuguei a última lágrima que ainda rolava pela face e decidida, desci as escadas do pensamento que conduziam ao portão, onde finalmente depositaria a caixa. Porém, no último instante, num súbito suspiro emocionado, voltei e a depositei sob a estante. "É a minha história!!" Gritei num soluço apertado! E num ato alucinado, tirei da caixa tudo que nela havia depositado. Está tudo exposto,agora... Não quero esquecer! Apenas continuar a viver. ROSEIRAº